sábado, 8 de novembro de 2008
Sem os diários
Três tiros no peito. Nada mais.
quinta-feira, 19 de junho de 2008
A noite é dele.

As palavras inocentes da loura do bar eram comoventes. Como um simples blues, ela só chorava a alegria alheia, a alegria do rapaz do ponto vermelho na lapela.
segunda-feira, 24 de março de 2008
E as noites seguem seu rumo

Foi uma longa semana. Eu presenciei uma série de fatos, a princípio desconexos, que mostraram uma sombra de desatinos sem fim. Era como uma força sem precedentes de lembranças antigas. Não sei... Recordei-me de minha irmã, quando ainda era pequeno, e quando ela noivou e saiu de casa. Lembrei-me de sua voz ao vento, de sua força infantil querendo dizer adeus. Mas não sei, era algo mais...
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

terça-feira, 30 de outubro de 2007

- Ela já era.
- Quem?
- A dama de vermelho.
- A dama de vermelho já era?
- A dama de vermelho a matou.
(...)
Lembro-me ainda como se tivesse ouvido ontem aquele tiro... Se bem que nem tanto assim. Parece que tem mais tempo. Mas poderia fazer mais. Ainda me perseguem por aquilo. Desgraçados que não saem da cola. Pelo menos por agora eu não tenho nada a declarar, por que não entendem isto?
(...)
- Ela estava em todas, tinha mais é que acabar assim.
- E meu escritório, quem vai pagar os danos?
- Você! Cretino... Ninguém mandou se engraçar com a moça na sua própria sala. Falo para não levar comida ruim pra dentro de casa...
- Cala a boca!
- Falo sério!
- Eu sei!
- Cala a bo...
- CALA A BOCA!
(...)
Dedos apontados como se resolvessem alguma coisa. Mas ambos sabemos que armas resolveriam tampouco. Soco o imbecil e ele faz cara de que não vai revidar. De fato. Me diz mais algumas palavras e fica por isso mesmo.
Tenho que reformar meu escritório...
Quem sabe mudar? Quem sabe trabalhar por outras bandas mais familiares. Eu sempre tive medo de ser esquizofrênico, mas aquela psicóloga gostosa de uns anos atrás me garantiu que eu só tenho manias. Céus! Estas mulheres que eu arrumo pra me falarem coisas poderiam ser piores que as que tentam me matar. Salvo o detalhe do frio cano na minha nuca, são a mesma coisa.
(...)
- Então é isto?
- É...
- Cala a boca, filho de uma...
- Mas será mais!
- ...
- Morre!
- Tsc... Cala a boca!
- Um por destruir meu escritório. Dois por matar uma vítima que não era sua. Três por atrapalhar o meu serviço. Quatro por matar os meus colaboradores. Cinco por ser você. Seis para garantir que não ficarei te devendo mais balas...
BLAM! BLAM! BLAM! BLAM! BLAM! ... BLAM!
- Dívidas pagas? Sim. Balas com sabor de mostarda para você, creti... CÉUS!
- Defuntos não têm dívidas aqui...
(...)
Lembro daquelas estranhíssimas palavras e de como elas saíram da boca do homem que acabara de levar seis tiros, todos mortais. O homem se vestia de forma estranha, tinha águias tatuadas pela cabeça. Era uma figura. Sabia de sua fama, mas não imaginei que chegasse a este ponto. Ele as disse e deitou-se, como que repousando, mas sem segurar o pescoço que caiu e a maior serenidade nas expressões. Um chefão do submundo. Quase inatingível, mas nunca poderia ser imortal. Por um momento pensei que fosse. Pegou uma das balas em seu corpo, a segunda, como pôde e proferiu palavras que me assustaram por breve. O bastardo disse que era a reencarnação de uma Fênix. Ele era a reencarnação de uma Fênix e disse:
“Não seria bom com isto pagar as nossas dívidas ainda nessa vida? Não seria bom pagar todas as nossas dívidas nessa vida? Não me torture, me mate logo, ou estará apenas adiando o meu inevitável retorno e sua ceifa”.
Aquilo me aterrorizou sobremaneira. Tenho medo da mera memória. Memória seletiva esquisita, que lembra o que quer. Algo me diz que eu vou me lembrar disso por um bom tempo, isso porque ainda não entendi o que o velho quis dizer. E tememos o que não entendemos. Fantasmas. De uma forma metafórica eles sempre aterrorizaram uns mais bobos. Mas é a primeira vez que acredito que podem me assustar também.
Ainda não sei o que fazer com meu escritório. Já meu trem chega ao destino, daí penso. Talvez o ideal seja mesmo procurar um novo lugar...
(...)
[Caso Angellis: ENCERRADO]
Mostarda
quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Estava eu bebendo num bar, ouvindo uma música estranha que insistiam ser "coisa boa", quando um homem para em frente à minha mesa. "Mostrada!", exclamei, olhando que o desgraçado continuava o mesmo. Ele se sentou e contou de suas viagens.
Ele disse do turbilhão de locais que visitou e de como as viagens foram-lhe... epifânicas. Talvez fosse o rum dele, talvez a minha vodka, mas em dado momento nós dois derrubamos os respectivos copos ao chão, de tão bêbados, e aí eu percebi: algo não estava nada bem no meu amigo. Eu via em seu olhar. E então ele me contou da assassina, da mulher dos biscoitos, da dona da pensão... Não sei, algo em seu olhar. Talvez... E ele me contou também de olhos, de vistas, de cidades antigas e montanhosas, assim como arquitetônicas e sem igual.
A noite foi boa. Ele disse que deve ficar na cidade alguns dias, então devo encontrá-lo mais vezes. Ele já viu que aquele é o tipo de bar que me atrai - bebida barata, vagabundas no balcão e pouca gritaria. No mais, uma ou outra briga, pra me deixar feliz.
É, Mostarda, deu saudade te ver. Falando nisso, depois temos de fazer aquele local tocar uma música melhor.
